Congresso aprova tornozeleira eletrônica obrigatória para agressores em casos de risco
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19.Mar.2026 - 07:00
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Redação - Víndice
CONTEXTO
O enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil tem sido pautado pela ampliação de medidas protetivas e mecanismos de monitoramento de agressores, com base na Lei Maria da Penha. Nos últimos anos, o debate legislativo tem buscado fortalecer instrumentos preventivos, especialmente em situações de risco iminente, nas quais a atuação rápida do Estado pode ser determinante para evitar agravamentos.
A utilização de tornozeleiras eletrônicas já é admitida em diversos contextos, mas a nova proposta amplia e sistematiza sua aplicação em casos de violência doméstica.
O QUE ACONTECEU
O Senado Federal aprovou projeto de lei que obriga o uso de tornozeleira eletrônica para agressores de mulheres em situações consideradas de risco. O texto autoriza a autoridade policial a determinar o uso imediato do dispositivo, cabendo ao juiz avaliar a medida no prazo de 24 horas, podendo mantê-la ou revogá-la.
A proposta já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados e segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além do monitoramento, o projeto prevê que a vítima tenha acesso à localização do agressor e receba alertas em tempo real, por meio de aplicativo ou dispositivo eletrônico, em caso de aproximação.
FUNDAMENTOS JURÍDICOS
A proposta se fundamenta na proteção à integridade física e psicológica da mulher, em consonância com os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da proteção à vida. Também dialoga com o regime das medidas protetivas de urgência, que permitem atuação célere do Estado para prevenir violência.
A previsão de decisão judicial em 24 horas busca equilibrar a atuação imediata da polícia com o controle jurisdicional, garantindo legalidade e proporcionalidade da medida.
PONTOS CONTROVERSOS
Um dos principais pontos de debate envolve a ampliação do poder da autoridade policial para determinar medidas restritivas antes de decisão judicial definitiva. Também há questionamentos sobre a infraestrutura necessária para implementação eficaz do monitoramento e dos sistemas de alerta.
Outro aspecto sensível diz respeito à proteção de dados e à gestão das informações de geolocalização.
IMPACTO
No sistema de justiça, a medida tende a aumentar a efetividade das medidas protetivas, com resposta mais rápida em situações de risco. Para a segurança pública, exige integração tecnológica e operacional para monitoramento contínuo.
Na advocacia, amplia o campo de atuação em casos envolvendo medidas cautelares e direitos fundamentais. No plano social, a proposta busca fortalecer a proteção de vítimas e reduzir a reincidência de violência.
ANÁLISE VÍNDICE
O projeto aprovado pelo Senado Federal representa um avanço no modelo de prevenção da violência doméstica, ao incorporar tecnologia como instrumento de proteção ativa. A possibilidade de imposição imediata da tornozeleira pela autoridade policial indica uma mudança relevante na dinâmica das medidas protetivas, priorizando a urgência. Ao mesmo tempo, a exigência de validação judicial em curto prazo preserva o controle de legalidade, evitando excessos.
O ponto crítico será a implementação: sem estrutura adequada, o risco é transformar uma medida eficaz em previsão normativa de baixa aplicabilidade. Se bem executado, o modelo tende a aumentar a previsibilidade e a segurança das vítimas, reduzindo a dependência exclusiva de medidas reativas.
O caso evidencia uma tendência do Direito contemporâneo de integrar tecnologia e proteção jurídica, com impactos diretos na forma como o Estado responde à violência de gênero.
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