Polícia Civil desarticula central de golpes e prende 16 em São Paulo
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27.Mar.2026 - 14:30
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Redação - Víndice
A Polícia Civil de São Paulo prendeu 16 pessoas em 24 de março, suspeitas de estelionato e associação criminosa, com base nos arts. 171 e 288 do Código Penal.
A Polícia Civil do Estado de São Paulo desarticulou, em 24 de março, uma central clandestina voltada à prática de fraudes conhecidas como golpe do falso advogado, em operação realizada no bairro de Ermelino Matarazzo, na zona leste da capital. A ação resultou na prisão de 16 pessoas e na apreensão de equipamentos utilizados na execução dos crimes.
As investigações tiveram início a partir de denúncia anônima, que indicava a existência de um imóvel com movimentação atípica e estrutura tecnológica voltada à prática de estelionatos. No local, os policiais identificaram uma operação estruturada, com divisão de tarefas entre os envolvidos, utilização de computadores e comunicação contínua com vítimas.
Durante a diligência, foi localizada em um dos equipamentos uma conversa que evidenciava a prática criminosa, com envio de comprovante de pagamento no valor de R$ 1,3 mil por uma vítima, além de confirmação de registro de ocorrência relacionado ao golpe. Os elementos reforçaram a materialidade dos crimes investigados.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Ronald Quene, o grupo acessava dados de processos públicos para identificar potenciais vítimas. A partir dessas informações, os suspeitos se passavam por advogados e solicitavam pagamentos sob a justificativa de custas judiciais, honorários ou taxas necessárias para liberação de valores supostamente devidos.
A investigação apontou que o esquema envolvia etapas organizadas, desde a coleta de dados até a movimentação dos recursos obtidos. Essa estrutura indica atuação coordenada, característica típica de associação criminosa, com divisão funcional entre os integrantes.
Na operação, foram apreendidos dois veículos, uma motocicleta, dinheiro em espécie, máquinas de cartão, dezenas de celulares, cartões bancários, além de computadores e equipamentos de comunicação. O material será submetido à análise pericial para aprofundamento das investigações.
O caso foi registrado na 1ª Delegacia Seccional do Centro, com enquadramento nos crimes de estelionato e associação criminosa. A apuração deve avançar para identificar outras vítimas e possíveis ramificações do esquema.
A prática do golpe do falso advogado tem se expandido nos últimos anos, especialmente com o uso de dados disponíveis em sistemas públicos. A facilidade de acesso a informações processuais, aliada à engenharia social, tem ampliado o alcance desse tipo de fraude.
Do ponto de vista institucional, o caso evidencia vulnerabilidades na utilização de dados públicos e reforça a necessidade de medidas de proteção e conscientização para evitar o uso indevido dessas informações.
ANÁLISE JURÍDICA
O crime de estelionato, previsto no art. 171 do Código Penal, consiste em obter vantagem ilícita mediante fraude, induzindo a vítima a erro. No caso, a simulação de atuação profissional e a cobrança de valores indevidos caracterizam o núcleo do tipo penal.
Já a associação criminosa, prevista no art. 288 do Código Penal, exige a reunião de três ou mais pessoas com o objetivo de cometer crimes. A estrutura organizada identificada na operação, com divisão de funções e atuação coordenada, atende aos requisitos legais para a configuração do delito.
BASTIDORES INSTITUCIONAIS
A operação foi desencadeada após denúncia anônima e conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, com atuação da 1ª Delegacia Seccional do Centro, que agora coordena a continuidade das investigações e a análise do material apreendido.
CONCLUSÃO
Nos próximos 30 a 90 dias, a tendência é de ampliação das investigações, identificação de novas vítimas e eventual oferecimento de denúncia pelo Ministério Público com base nas provas coletadas.
ANÁLISE VÍNDICE
Risco institucional: Elevado, diante do uso indevido de dados públicos para fraudes.
Consequências jurídicas: Responsabilização penal por estelionato e associação criminosa.
Impacto político: Baixo, restrito ao campo da segurança pública e proteção de dados.
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